
FOYER ANTES DA DECORAÇÃO
DE VISCONTI 1910

PRIMEIRA COMPOSIÇÃO
PARA O FOYER - c.1912

ESTUDO PARA O FOYER 1912

VISCONTI NO ATELIER DA RUE DIDOT

PAINEL CENTRAL DO FOYER DO TEATRO
MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO - A MÚSICA

PAINEL LATERAL DO FOYER DO TEATRO
MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO - O DRAMA

PAINEL LATERAL DO FOYER DO TEATRO
MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO - A ARTE LÍRICA

PAINEL LATERAL DO FOYER DO TEATRO
MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO - O DRAMA

PAINEL CENTRAL DO FOYER-DETALHE-APOLO

PAINEL CENTRAL DO FOYER-DETALHE-CALÍOPE

PAINEL CENTRAL DO FOYER-DETALHE-ÉRATO

PAINEL CENTRAL DO FOYER-DETALHE-URANIA

PAINEL CENTRAL DO FOYER-DETALHE-EUTERPE

PAINEL CENTRAL DO FOYER-DETALHE-MELPÔMENE
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Inaugurado
o Theatro Municipal em 14 de julho de 1909, somente ao final de
1912 é aberto concurso para as decorações internas do “foyer”.
Concorrem Eliseu Visconti e Rodolpho Amoedo, este com três estudos
hoje pertencentes ao Museu Nacional de Belas Artes. Visconti apresenta
um estudo
a óleo, de 51 cm x 79 cm (acervo do Museu dos Teatros/FUNARJ)
e é selecionado “dada a superioridade da concepção do conjunto” (Pedro Xexéo em “Teatro
Municipal 90 anos”).
Mais
uma vez, face às dificuldades de conseguir local de dimensões
compatíveis, mas principalmente pela falta de modelos profissionais,
parte Visconti para Paris em 3 de junho de 1913, onde aluga um
terreno na Rua Didot, nº 102, e constrói um barracão que será
utilizado como ateliê.
A
decoração do foyer seria composta por um grande painel
central medindo 16 m x 7 m, representando “A Música”, e
por dois painéis laterais, menores, com aproximadamente 6 m x 4 m
cada, simbolizando A Arte Lírica (Inspiração Musical) e O Drama (Inspiração Poética).
No
painel central, “Visconti
usou vários estilos e procedimentos artísticos – o pontilhismo
ou divisionismo, o Art-Nouveau e, sobretudo, o simbolismo, frutos
de sua formação no Brasil e na França – para compor uma
sinfonia de cores e formas em que vários nus femininos se
movimentam num ritmo ondulante”. (Valéria Ochoa Oliveira).
“A predominância desse nu esvoaçante não se vê só em teatros, nem
nesses exemplos de trabalho de Visconti. Nessas obras do pintor,
todavia, ela se coaduna com a própria expressividade musical e rítmica,
com os contornos e curvaturas elegantes e as vibrações das
sonoridades, em plena época de Debussy e do impressionismo. A técnica
do artista nessas obras, no geral divisionista e com o uso de
roxos, azuis, rosas ou avermelhados suaves, culmina na obra prima
que é o teto do foyer.” (Mario Barata – Catálogo da
Exposição Eliseu Visconti e a Arte Decorativa – 1983).
E
Mário Barata conclui:
“O seu preparo, a sua adequação para a
tarefa que executou no Teatro Municipal do Rio de Janeiro fez do
interior do edifício um centro artístico vital do primeiro terço
do século XX brasileiro, continuando como foco de permanente
beleza e autêntica sensibilidade, elaborado no País, com
alta qualidade e surpreendente vibração, quase sem igual entre nós.”
Frederico
Barata e José Roberto Teixeira Leite, em diferentes épocas, também
consideraram o foyer como obra prima da pintura decorativista em
nosso País (Biografia – 1901-1920).
Para Flexa Ribeiro, em
artigo publicado no Jornal do Commercio em 1950, Eliseu Visconti
poderia figurar, com a obra do Teatro Municipal, na pauta da história
da arte, entre as poderosas naturezas da pintura mundial de nossos
tempos.
A
dissertação de mestrado de Valéria Ochoa Oliveira teve por objeto o
painel central do foyer do Teatro Municipal, de Visconti. A
pesquisa se propôs a investigar a identificação das figuras que
compõem o grande painel e a sua simbologia, buscando uma ligação
da pintura com o momento cultural do fin-de-siécle. Valéria
encontra na obra de Visconti elementos da mitologia greco-romana,
com procedimentos e estilos de arte moderna. Em profunda pesquisa,
Valéria norteia o desenvolvimento de seu trabalho na hipótese
principal de que as figuras representadas no painel central “A Música”
referem-se às nove Musas,
às Três Graças e a Apolo,
identificadas nas figuras de maior tamanho que dominam a composição.
“A busca de sentido pessoal de Visconti,
às vésperas da Primeira Grande Guerra, num mundo em crise, se
realizava através da arte, “a grande Consoladora” (como
Visconti denominou a arte em carta a Francisco Oliveira Passos). O
painel com suas Musas, as Três Graças e Apolo – onde a figura
central é a musa Polímnia,
tocando uma enorme lira e com grandes asas abertas, que remetem
aos anjos ou aos pássaros – expressa a simbologia que o artista
pretendia: o símbolo das asas é o mais apropriado para
representar o desejo de transcendência, a capacidade de voar pelo
universo, de libertar-se das amarras e encontrar sentido num mundo
idealizado, acima das dificuldades e dores terrenas.
O painel foi a forma encontrada pelo artista para trazer este sentido a
si próprio e aos visitantes do Teatro Municipal: edifício
suntuoso, erguido durante as reformas urbanas de Pereira Passos
– época de grandes contradições político- sociais – e um
dos signos da modernidade no Rio de Janeiro.” (Valéria
Ochoa Oliveira).
Os
trabalhos de Visconti para o foyer, que já haviam sido
interrompidos em Paris pela ameaça da invasão alemã, no início
da Primeira Guerra, sofreriam nova ameaça dos submarinos alemães,
ao serem transportados para o Brasil em dezembro de 1915. No dia
18 de março de 1916, Visconti concluiu a colocação dos
trabalhos no Theatro, e em 5 de abril do mesmo ano partiu para
encontrar-se com a família que havia deixado em Paris.
“Não creio, porém, que a sua técnica, a serviço da visualidade, tenha
jamais obtido efeitos tão brilhantes como no centro desse painel
(do foyer), que é como o pólen de uma grande flor, pólen rico
em ouro, que se confunde com as pétalas em redor, numa gradação
de tons acentuadamente rósea para a direita, e azulada para a
esquerda. Diante da grande tela, os profissionais admirarão a
correção dos desenhos, a segurança das atitudes, o efeito harmônico
da composição; os poetas se perderão em devaneios da sua própria
subjetividade posta em vibração pelo efeito sugestivo das linhas
e formas; mas o grande público de tendências artísticas se embevecerá,
sobretudo, com a riqueza e harmonia do colorido.” (autor desconhecido
– recorte de jornal de 1915).
Entre
fevereiro de 2009 e abril de 2010 foi executada a completa restauração
das pinturas do “foyer” do Theatro Municipal. As obras
de Visconti do “foyer”, principalmente os painéis
laterais, estavam em lastimável estado, atingidas pelas
infiltrações na cúpula do Theatro. Antiga
reivindicação do Projeto Eliseu Visconti, a restauração
dos painéis do foyer foi incluída nas obras de recuperação
do Theatro, no ano de seu centenário. Com a coordenação
da Holos Consultores Associados, os trabalhos foram desenvolvidos
pela equipe de Maria Cristina da Silva Graça. As demais
pinturas de Eliseu Visconti no Theatro - pano de boca, plafond
e friso sobre o proscênio - também foram objeto de
reparos e limpeza, trabalhos executados pela equipe de Humberto
Farias de Carvalho. Todos os trabalhos de restauro contaram com
a consultoria dos Professores Edson Motta Júnior e Cláudio
Valério Teixeira.
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FOYER COM A DECORAÇÃO
DE VISCONTI
2010

FOYER COM O PAINEL "A MÚSICA"

VISCONTI NA ESCADA PINTANDO O FOYER
- 1915

VISCONTI EM SEU ATELIER COM O FOYER-PARIS
- 1916

PAINEL LATERAL DO FOYER DO TEATRO
MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO - A ARTE LÍRICA

PAINEL LATERAL DO FOYER DO TEATRO
MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO - A ARTE LÍRICA

PAINÉIS CENTRAL E LATERAL
DO FOYER - A MÚSICA E A ARTE LÍRICA

PAINEL CENTRAL DO FOYER-DETALHE-AS
TRES GRAÇAS

PAINEL CENTRAL DO FOYER-DETALHE-POLÍMNIA

PAINEL CENTRAL DO FOYER-DETALHE-CASAL
ABRAÇADO

PAINEL CENTRAL DO FOYER-DETALHE-TERPSÍCORE

PAINEL CENTRAL DO FOYER-DETALHE-CLIO

PAINEL CENTRAL DO FOYER-DETALHE-TALIA |