
Regressando ao
Brasil, Visconti organizou sua exposição de apresentação na Escola
Nacional de Belas Artes. Realizada em 1901, além de apresentar
suas telas do período em que estudou na França (60 trabalhos de
pintura, pastel e desenhos), expôs também 28 trabalhos de arte
decorativa e de arte aplicada às indústrias, como resultado de
seu aprendizado com Eugene Grasset na École Guérin.
Essa
exposição de artes aplicadas teria passado desapercebida, segundo
depoimento do próprio Visconti a Angione Costa, em 1926: “Quando
regressei da Europa como pensionista dos cofres públicos fiz esta
exposição na intenção de que a arte decorativa era o elemento
maior para caracterizar a indústria artística do País. Olharam-me
como novidade e nada mais. Cheguei a fazer cerâmica a mão, para
ver se atraia a atenção das escolas e oficinas do Governo. Ninguém
notou o esforço.” No entanto, Gonzaga
Duque, em artigo publicado no Jornal do Comércio em 16/05/1901
e posteriormente na Revista Kosmos, teceria elogios incontestes
à obra de Eliseu Visconti e lamentaria que as indústrias no Brasil
vivessem na servilidade dos maus modelos vindos do estrangeiro,
quando poderiam encontrar em Visconti um animador de seus produtos.
Américo
Ludolff, proprietário das Manufaturas Ludolff & Ludolff, tentou
por diversas vezes que Eliseu Visconti se associasse à produção
de cerâmica, chegando a aplicar desenhos de Visconti em algumas
séries de sua produção. Alma rebelde, preferiu Visconti dedicar-se
à arte com liberdade a sentir-se vinculado a projetos comerciais.
Ainda
em 1901 nasce Yvonne, em Saint Hubert, França, primeira filha
de Visconti com Louise. Yvonne seria aluna e modelo de seu pai
em diversas obras, dedicando-se à pintura e às artes decorativas
e tornando-se artista de grande sensibilidade.
Em março
de 1903 Visconti realiza em São Paulo sua segunda exposição, inaugurada
pelo então Presidente do Estado, Dr. Bernardino de Campos, para
a qual leva a maioria das obras expostas no Rio, em 1901. Esta
exposição compreendia três seções: de pintura e desenho, de arte
decorativa e de cerâmica artística nacional. A
exposição Visconti em São Paulo foi objeto de
pesquisa inédita feita por Mirian N. Seraphim em jornais
paulistas da época, que confirmam o conteúdo da mostra: 51 trabalhos
a oleo, pastel e fusain: quadros de gêneros diversos, estudos,
esbocetos; 28 composições capituladas nas artes decorativas: projectos
de selos, vitrais, ex-libris, vasos, obras de entalhes, litografia,
tapeçaria; 10 trabalhos de ceramica: peças decorativas e vasos.
(Seraphim, Miriam, 2003, pág. 104)
No mesmo ano Visconti
participa de três concursos de selos postais e cartas-bilhete,
organizados pela Casa da Moeda, num total de dezesseis projetos.
O júri, presidido por Luis Betim Paes Lima, Diretor dos Correios,
era constituído por literatos, filatelistas e pelo escultor Rodolfo
Bernardelli. Declarado vencedor dos três concursos em janeiro
de 1904, os projetos de selos postais de Visconti jamais seriam
executados, por ter-se oposto o Ministro de Viação e Obras Públicas,
Sr. Lauro Muller, o que causou grande mágoa ao artista. A aceitação
que tiveram por parte da imprensa especializada, inclusive na
Europa e na América, foi comprovada pelo número de vezes que foram
publicados, inclusive na revista francesa “L’Illustration” que,
com elogios, reproduziu todos os projetos.
Nos
selos, tendo sempre
a mulher como principal protagonista, Visconti representou os
fatos mais significativos da história do Brasil e homenageou ainda
as artes, o comércio, a indústria, a correspondência, a energia
elétrica e a aeronáutica. Também nas ilustrações e na propaganda,
“Visconti se aproveita sempre
da qualidade decorativa do perfil e da cabeleira feminina, o pescoço
inclinado e a face oval, as linhas curvas tão apreciadas na época”
(Irma Arestizabal no Catálogo da Exposição Eliseu Visconti
e a Arte Decorativa – PUC – 1982).
Em cartaz
criado em 1901, “O Beijo da Glória a Santos Dumont”, já havia Eliseu Visconti homenageado
a aviação e o feito glorioso de Santos Dumont. Muito mais tarde,
em 1947, em retribuição ao artista, a Companhia Nacional de Aviação
batizaria um de seus aviões com o nome de Eliseu Visconti. A incursão
de Visconti pelo design gráfico incluiu ainda cartazes diversos,
como os que projetou para a Companhia
Cervejaria Antártica, e os estudos do emblema
e do “ex-libris” para
a Biblioteca Nacional, este último adotado ainda hoje nos livros
da Biblioteca.
Retornando
à Europa em 1904, Visconti retoma sua atividade artística na capital
francesa, freqüentando novamente a Academia Julian (Nunes, 2003,
pág. 66). Em 1905, expõe no Salão de Paris o retrato de Nicolina
Vaz de Assis que, com outros trabalhos que se seguem, tornariam
Visconti apreciadíssimo como pintor de retratos. Sobre o Retrato da escultora Nicolina
Vaz de Assis, cuja nobreza apaixonou o Salon de Paris, escreveu José Maria Reis Júnior: “Há nesse trabalho uma vida interior excepcional e uma representação realista
impressionante, adquirida nos seus estudos de Velásquez, que fazem
desse retrato uma das mais perfeitas obras de pintura do Brasil”.
(História da Pintura no Brasil – 1944).
Infatigável,
Visconti executa várias telas de cavalete, dedicando-se à pintura
ao ar livre, tendo como principal tema as paisagens dos Jardins
de Luxemburgo. “Maternidade”,
trabalho marcante de sua fase pré-impressionista e exposto ao
público francês no Salão da Sociedade Nacional de Paris, surge
como resultado de diversos outros trabalhos e pesquisas realizados
em contato direto com a natureza. Visconti utilizaria essas pesquisas,
que incorporavam os ensinamentos do impressionismo ao linearismo
e modelado botticelliano, para compor as decorações do Teatro
Municipal.
E é
em Paris, ainda em 1905, que Visconti recebe do Prefeito do então
Distrito Federal, Engº Francisco Pereira Passos, o convite para
executar as decorações do Teatro Municipal do Rio de Janeiro.
O prefeito que remodelou o Rio de Janeiro no início do século
XX não conhecia Eliseu Visconti pessoalmente, mas já apreciava
os trabalhos do jovem artista, tendo pesado a favor de Visconti
o fato de estar em Paris, acompanhando as inovações artísticas
à época.
Na capital
francesa, Visconti preparou a esquisse
para o Pano de Boca do Teatro Municipal, trazendo-a ao Brasil
no início de 1906, por sua conta e risco, para ser aprovada pelo
Prefeito e, em seguida, ser exposta na Casa Vieitas. Firmado o
contrato em fevereiro de 1906, Visconti retorna a Paris para dar
início à tarefa de maior responsabilidade de sua vida. Além do
Pano de Boca, o contrato firmado determinava também a execução
das decorações do “plafond” (teto) sobre a platéia e do friso sobre o proscênio (acima
da boca de cena). Em junho desse ano, mesmo estando em Paris,
Visconti seria eleito para substituir Henrique Bernardelli na
1ª Cadeira de Pintura da Escola Nacional de Belas Artes.
Diante
das enormes telas vazias, montadas no enorme atelier alugado que
pertencera a Puvis de Chauvannes, em Neuilly, Eliseu Visconti
foi tomado por sensação que lhe configurava como um misto de ansiedade
e profunda emoção, conforme relataria a Frederico Barata: “Tal sensação exige uma concentração de energias, só concebida por aqueles
que se colocaram um dia no ponto inicial de um grande esforço
ou tarefa criadora a cumprir”.
É
de Frederico Barata a breve descrição do Pano
de Boca que se segue: “Mais
de duzentas figuras, algumas de tamanho superior ao natural, tinham
de ser ali postas, numa alegoria descomunal, abrangendo diferentes
épocas históricas, que se deveriam fundir numa só harmonia, glorificadora
da influência das artes na civilização. Esse o tema que lhe fora
dado: A Influência das Artes na Civilização. Meia dúzia de palavras
e nada mais.”
Os
trabalhos decorativos do Teatro Municipal estariam concluídos
em 1907. O atelier alugado era o maior à época em Paris mas, com
pouco mais que quatro metros de pé-direito, obrigou Eliseu Visconti
a dividir a tela em três seções que seriam pintadas separadamente,
da parte superior para a inferior do Pano. A seção inferior, exposta
no atelier do artista ao final dos trabalhos, em julho daquele ano,
mereceu os maiores elogios da crítica francesa e os cumprimentos
do Presidente Rodrigues
Alves, que acabara de deixar o Governo e visitava Paris com
a família.
Longe
de se tornar uma unanimidade, o Pano de Boca recebeu no Brasil
elogios, mas também críticas contundentes. Eliseu Visconti foi
censurado por ter colocado negros entre os figurantes do povo
retratados no painel, o que, segundo alguns críticos, nos diminuiria
aos olhos dos estrangeiros que viessem a freqüentar o Teatro.
Também a inclusão da figura de D. Pedro II foi criticada, por
supostamente homenagear o regime monárquico. Visconti, firme na
defesa do trabalho que realizara, colocava-se mais uma vez à frente
de seu tempo, ao desafiar o preconceito, incluindo o negro na
ornamentação da mais importante casa de espetáculos do País, que
seria freqüentada à época pela elite da sociedade nacional.
O artista
retorna ao Brasil em outubro de 1907, com o objetivo de orientar
os trabalhos de colocação dos painéis no Theatro Municipal e assumir
o Magistério. O Pano de Boca foi colocado no Theatro em julho
de 1908, um ano antes da sua inauguração.
No ano
seguinte, novamente na França, Visconti oficializa sua união com
Louise Palombe, casando-se na Commune des Essarts Le Roi, no dia
14 de janeiro de 1909. Volta em seguida ao Brasil com sua família.
A
inauguração oficial do Teatro Municipal ocorreu a 14 de julho
de 1909. Neste ano, Visconti muda-se provisoriamente com a família
para o 2º andar do prédio situado à Rua Mem de Sá, 60, construído
para servir como seu atelier. Tobias, seu segundo filho com Louise,
nasceria no ano seguinte, já com a família instalada na casa da
Ladeira do Barroso, em Copacabana (atual Ladeira dos Tabajaras).
Antes,
em janeiro de 1910, Visconti faria uma exposição individual na
Casa Vieitas, onde mostraria pela primeira vez o Retrato
de Gonzaga Duque.
Expõe ainda as obras Lendo a Carta,
Retrato de Nicolina Vaz de Assis,
Retrato do Sr. Simas, Retrato do Maestro Alberto Nepomuceno, Retrato de
Affonso D’Angelo Visconti (irmão do pintor), Retrato de
Ovídio Romeiro e Retrato de José Mariano Filho, entre outros trabalhos
(Seraphim, 2003, pág 321).
Entre
1908 e 1913, Visconti, dedicado também ao magistério, tem como
discípulos Marques Júnior, Raimundo Cela, Isolina Machado, Agenor
de Barros, Paulina Kaz, João Batista Bordon, Oscar Boeira e Henrique Cavalleiro,
tendo este último se tornado seu genro em 1934 e notável pintor.
Manoel Santiago também foi seu discípulo, mas somente mais tarde,
em 1920, quando Visconti ministraria por três anos curso particular
no atelier de Haydéa Lopes, na Rua das Laranjeiras.
Visconti
teve em realidade curtos períodos como professor, se comparados
à sua longa carreira. Depois de seis anos regendo a cadeira de
pintura histórica, renuncia em 1913 a suas atividades na Escola
de Belas Artes, onde não brigou para alterar os métodos de ensino,
talvez conformando-se com o fato de serem o meio e a crítica à
época bastante refratários a inovações. Para Frederico Barata,
teve Eliseu Visconti a inteligência de compreender em tempo o
perigo que o exercício da cátedra, àquela época, representaria
para sua carreira.
São
do período do magistério excelentes retratos, dentre os quais
o de Gonzaga Duque, e
também os painéis para decoração da Biblioteca Nacional, intitulados “Progresso” e
“Instrução”, executados com a colaboração de Henrique Cavalleiro
e Marques Júnior.
Ainda
em 1913, recebe nova encomenda da Prefeitura do Rio, agora para
decoração do foyer do Teatro Municipal. Visconti volta à Europa
com a família e inicialmente fixa-se em Saint Hubert, onde residiam
os pais de sua esposa Louise. Mas é em Paris que inicia os trabalhos
do foyer, num barracão construído em terreno alugado na Rua Didot.
Abandonou o atelier de Paris por um período, enquanto perdurou
a ameaça de invasão alemã da primeira guerra mundial, refugiando-se
em Saint Hubert e Le Mans. Mas foi no atelier da Rua Didot que
Visconti concluiu o trabalho.
Para
execução da decoração do “foyer” Visconti voltou a empregar técnica
impressionista, buscando harmonia ao conjunto da decoração do
Teatro. Pois se no Pano de Boca características impressionistas
estão presentes apenas ao fundo, em função do tema de caráter
alegórico ter exigido desenho linear das figuras, no teto sobre
a platéia o artista já utilizara técnica divisionista.
No entanto,
é marcante a evolução do artista, sendo a decoração do “foyer”
considerada pelos críticos sua obra prima. A decoração é composta
por um grande painel central,
representando “A Música” e por dois painéis laterais, menores,
simbolizando “A Arte Lírica” (Inspiração Musical) e “O Drama”
(Inspiração Poética). “No
foyer nosso artista se supera, sob todos os aspectos, considerando
o conjunto de sua obra. Seu domínio absoluto dos valores cromáticos
é patente em toda a composição. Sua pintura pontilhista nos surpreende
pela leveza e pelo equilíbrio dos tons.” (Nagib Francisco
em “Vida e Obra de Eliseu Visconti” – aguardando publicação).
José
Roberto Teixeira Leite considera que o “foyer” poderia ser a obra
prima da pintura decorativista em nosso País e julga-a merecedora
dos elogios de Frederico Barata: “Verdadeira
música de cores, de tons harmoniosos, impecável desenho e elegante
linha de composição, revela tal segurança e maestria na fatura,
sem uma hesitação, com uma sensibilidade tão inspirada e comunicativa,
que pode, sem exagero, ser comparada ao que de melhor no gênero
tenha sido produzido no mundo contemporâneo.”
Eliseu
Visconti regressou ao Brasil em 1915, deixando a família em Paris
já acrescida de Afonso, seu terceiro filho, e levando a bordo
do navio a decoração do “foyer”. Em plena guerra, mas com data
marcada para a entrega, a viagem transcorreu sob ameaça de submarinos
alemães, que logravam torpedear um em cada cinco navios aliados.
Após a colocação dos painéis do “foyer”, concluída em março de
1916, Visconti retorna à França em abril daquele mesmo ano para
juntar-se à família, e lá permanece até 1920.
No
mesmo período em que trabalhava no “foyer” e nos anos seguintes
em que permaneceu em Paris, Eliseu Visconti executou as paisagens
impressionistas de Saint Hubert, por muitos consideradas, em conjunto
com aquelas que seriam realizadas em Teresópolis, como o que de
melhor o artista produziu. “Ronda
de Crianças”, “Cura
de Sol”, “Flores
da Rua”, “Moça
no Trigal” e “Meditando”
são algumas das obras desse período. É de Mário Pedrosa o
texto: “Até os retratos
dos últimos tempos, até as paisagens de Saint Hubert e Teresópolis,
o
que Eliseu Visconti produziu tinha qualidades, mas não chegava
a sagrá-lo como o inaugurador da pintura brasileira, como o seu
marco divisório. Com eles, nasce uma nova paisagem na pintura
do Brasil.... Em Saint Hubert, onde a individualidade do pintor
se acentua até atingir os contornos precisos da fase final brasileira
das paisagens de Teresópolis, ele não resiste aos encantos de
uma melopéia tonal que flui do verde ao amarelo e do vermelho
ao roxo, sem tropeços (Outono em Saint Hubert). A atmosfera doce,
medida, da Ilha de França o embala. A seqüência tonal é melódica,
correntia, mal interrompida por sincopados em vermelho. O artista
é empolgado pelos problemas puramente pictóricos e colorísticos:
a delicadeza dos tons e das meias-tintas, dourados, amarelos,
com ligeiras curvas descendentes para os graves roxos e sem remontar
aos verdes (Trigal).
Em Flores
da Rua, com suas pinceladas curtas, as figuras que brincam
na calçada, que são? Manchas, tons, flores, como as que pendem
dos galhos e se inclinam sobre os muros.”
[CONTINUAR]
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PÃO DE AÇÚCAR
- 1901

O BEIJO DA GLÓRIA A SANTOS
DUMONT

CARTAZ DA COMPANHIA ANTÁRTICA-GUACHE
E AQUARELA

FAMÍLIA DO MAESTRO NEPOMUCENO
- 1902

ANTIGO OBSERVATÓRIO NACIONAL
- 1903

RETRATO DE NICOLINA VAZ - 1905

JARDIM DE LUXEMBURGO-ESTUDO PARA
MATERNIDADE

JARDIM DE LUXEMBURGO-c.1905

TRICOTEUSE-1905

PARQUE DE LUXEMBURGO c.1905

MATERNIDADE - 1906

PANO DE BOCA DO TEATRO MUNICIPAL
E FRISO SOBRE O PROSCÊNIO

RETRATO DE YVONNE - 1910

AVENIDA CENTRAL-c.1910

BOA NOITE - 1910

A ROSA - 1909

PAISAGEM DE SANTA TERESA - 1910

RETRATO DE GONZAGA DUQUE - 1910

ESTUDO PARA DECORAÇÃO
DA BIBLIOTECA NACIONAL

A IGREJINHA (COPACABANA)-1912

MATERNIDADE

SOB A FOLHAGEM - 1913

CRIANÇAS BRINCANDO 1913

PAISAGEM DE SAINT HUBERT - 1915

PAINEL CENTRAL DO FOYER DO TEATRO
MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO

TRIGAL - c.1915

VOLTA ÀS TRINCHEIRAS-c.1917

TARDE EM SAINT HUBERT 1917

NÉVOA ST. HUBERT-c.1917

CURA DE SOL - 1919

VITÓRIA DE SAMOTRÁCIA
1919
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