Pedro Xexéo - O Pano de Boca e as Decorações Murais para o Teatro Municipal - 1999

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No ano em que são comemorados os noventa anos de existência do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, é motivo de orgulho para o Teatro e a comunidade carioca a restauração do Pano de Boca do Teatro Municipal, obra de Eliseu Visconti, os artistas que todos identificam como o autor das mais belas decorações internas deste prédio único e insubstituível. Foi oportuna a restauração de “A influência das artes na civilização”, pois foi esta a primeira encomenda que Visconti recebeu – em 1902, do prefeito Francisco Pereira Passos – e que teve continuidade com outros trabalhos que, definitivamente, caracterizam este grande talento, nascido na Itália, como um dos maiores, senão o maior pintor brasileiro da época. “A influência das artes na civilização” foi paulatinamente elaborado no ateliê de Puvis de Chavannes (1824-1889) em Paris (Neuilly) e é um dos mais monumentais trabalhos do gênero, com mais de duzentas figuras. Possui um caráter enciclopédico pois retrata grandes figuras da literatura, poesia, teatro, como Dante, Camões e Shakespeare; pintores como Rafael, Rembrandt; músicos como Verdi e Wagner e brasileiros ilustres como Carlos Gomes e o seu Guarani, Castro Alves, José de Alencar, Pedro Américo, Vítor Meireles, Almeida Júnior, entre outros.

A composição e as figuras refletem a influência formal das concepções iconográficas da Belle Époque, acrescida do que poderíamos chamar de estilo acadêmico-didático, comum neste período, mas o conjunto é expressivo e, afinal, não possuímos nada no gênero, até então. Terminado em 1908, o pano de boca foi instalado no seu local muito antes da inauguração oficial do prédio, em 14 de julho 1909, na presidência de Nilo Peçanha. Agora, depois da restauração, poderá ser admirado em todo o seu esplendor. São ainda desta época inicial a concepção do friso sobre a boca de cena (proscênio), depois modificado, na década de 30, pelo próprio artista e, principalmente, a composição alegórica “As oréadas” que circunda o magnífico lustre, no teto da sala de espetáculos. Esta última composição revela uma outra influência importante na obre de Visconti, a sugerida pela pintura simbolista.

A propósito, o Museu Nacional de Belas Artes possui também uma “Dança das oréadas”, de 1899, pintura de cavalete que mostra alguma semelhança formal com a composição do Teatro Municipal.

No período de 1913 a 1916, o artista concebeu as pinturas de foyer, em técnica pontilhista, que constituem seu momento mais inspirado. A do teto, denominada “A música”, com dezesseis metros de comprimento por sete metros de largura e as laterais, que encimam as portas que dão para as rotundas, “A arte lírica” e “O drama”. Assim, entendermos ser Visconti a estrela mais brilhante na constelação de pintores que enriqueceram com suas obras o interior do Teatro Municipal. Mas ele não foi o único. Outros festejados pintores da época, Rodolfo Amoedo e Henrique Bernardelli, deram sua contribuição.