2º Período - 1898 - 1908 - Influências Renascentistas e Divisionistas (França)

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“A leitura da grande literatura clássica leva Visconti à arte da primeira Renascença Italiana, assim como já levara no meado do século XIX os “pré-refaelitas” à mesma fonte. É a época em que produz “Gioventú”, ”Recompensa de São Sebastião“ e “Oréadas”. Composições cheias de imaginação, pureza, graça, poesia, tipos idealizados, atingindo o primeiro apogeu de sua carreira. O nu se eleva a qualquer coisa de etéreo. A delicadeza de inspiração se alia a de execução. Há extrema sensibilidade nas expressões fisionômicas, sutileza do modelado e caráter linear das figuras que faz lembrar Botticelli. Embora apresentem vários predicados em comum, são peças bem diferentes, não só em tema, como em linha de composição e em colorido. “Gioventú” sublima todas as características dessa fase do pintor. A simplicidade e a candura de que se reveste, fá-la superar tudo que se fez na Europa sob a mesma influencia pré-rafaelita.

De regresso ao Brasil, Visconti se afasta dessa tendência. Retratando parentes e amigos retorna ao naturalismo, diretiva em que se acha quando volta à França, uns poucos anos depois. Datado de 1905, “D. Nicolina Vaz de Assis” é o primeiro retrato famoso do artista. De um desenho impecável e modelado seguro, com transição suave da luz à sombra, é uma figura cheia de elegância e dignidade, magnífica a mão na cintura.

O sucesso de seus trabalhos leva o Engº Pereira Passos a pedir-lhe, nesse mesmo ano, um estudo para a decoração do Teatro Municipal, que se projetava então no Rio. No intervalo desses primeiros estudos planeja sua “Maternidade”, de 1906. Executa várias “manchas” do Jardim do Luxemburgo, local onde se passará a cena. As primeiras são de tonalidades surdas, com predomínio do castanho, e passagens bruscas da luz para a sombra. Mas, à medida que o artista se familiariza com o impressionismo que estuda para a decoração do Municipal, seu colorido enriquece, tons mais claros surgem e adquirem uma luminosidade inteiramente nova em sua palheta. Dessa fase pré-impressionista a “Maternidade” é sua tela principal. A esplendida saia de seda azul de reflexos prateados da jovem mãe é de muito efeito junto ao tecido branco, leve e transparente, da blusa e do chapéu.

Desenhos e esbocetos documentam-lhe os estudos para a decoração do Teatro Municipal. Para trabalho de tamanha envergadura, Visconti estuda todas as possibilidades. E é no divisionismo, estilo que se consagrara na Europa para pinturas dessa natureza, que ele encontra o meio de dar o máximo de riqueza colorística dentro de um conjunto leve e gracioso. Mas para que a dissociação dos tons não prejudicasse o sentido da forma, pensou em aliar essas conquistas recentes ao velho linearismo e modelado botticelliano. O resultado foi dos mais felizes. Lá está o “plafond” do teatro para atestá-lo: “A passagem do dia“, como chamou o artista, a “Dança das horas” como a chamem outros. É quase que a introdução da nova técnica e de novo colorido a um tema já estudado e resolvido nas “Oréadas” de 1899. Nus femininos dançam meio envoltos em panejamentos transparentes e esvoaçantes, que cintilam em prata e ouro. Sobre o fundo em tons pastel, do azul ao rosa, pinceladas leves se sucedem como um redemoinho em linhas ora concêntricas, ora onduladas. As figuras são extremamente delicadas de fatura”.

É também desse período o importante Auto-Retrato de 1902, um dos primeiros dentre os inúmeros auto-retratos que executou, através dos quais se pode percorrer as diversas fases do artista.

Sobre a Gioventú, Ana Maria Tavares Cavalcanti diz em sua tese de doutorado: “...A impressão que se tem desse quadro é a de um equilíbrio onde nada é supérfluo e tudo está em seu lugar. Ao mesmo tempo, a perfeição das formas é tal que a idealização é evidente, esta menina não pertence a este mundo, ela é um símbolo.”