Primeiro Período - 1888 - 1897 - Formação, Naturalismo (Brasil e França)

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“Os seus primeiros trabalhos em exposição, academias, estudos de modelo vivo e um bom número de paisagens, são obras de aluno ainda da Escola Nacional de Belas Artes. Apresentam certa dureza, natural em todo período de formação, formas um tanto recortadas, preocupação com detalhes, que predominam sobre o conjunto. Mas o colorido já tem caráter, se bem que ainda com tendências aos tons sombrios, as sombras castanho-escuras então em voga em nossa Academia: isso não impede, porém, que haja trechos de leveza como o que encontramos no primeiro plano do “Mamoeiro” de 1889. Na figura humana as feições são demarcadas, denunciando ainda preocupação com a cópia da natureza. Em instantâneos da vida diária, já concilia a figura com a paisagem . “As lavadeiras” em sua faina preocupam-no desde cedo e freqüentemente iremos encontrá-las em sua pintura. As roupas nos varais, a principio como simples acessório, com o perpassar dos anos chegarão a formar o motivo central de uma de suas obras de arte de maior valor.

Parte Visconti para a Europa em prêmio de viagem que obtivera em 1892. Pelos envios à Escola verificamos que prosseguiu no estudo do modelo vivo. Executa então uma série de nus, de que o Museu possui um esplêndido conjunto: de 1893, 94, 95 e 96. Seu pincel se solta gradativamente. Enriquece o modelado e sensibiliza a carnação. Mas as cabeças lhe interessam, como lhe interessarão sempre, mais do que propriamente o nu - a tal ponto que, com isso, prejudicará, às vezes, a unidade do quadro. Datadas de 1895 e 96 são as primorosas cópias de Velasquez que executou no Prado.

Desde o princípio revela dualidade na escolha dos temas: a paisagem e a figura se intercalarão em toda sua obra, com a predominância ora de uma , ora de outra. A paisagem, que se dedica sobretudo antes da ida à Europa, substituíra a figura humana. Tal o elã com que se entrega ao gênero, que em pouco se assenhoreia do assunto. Procura então um caminho novo, mais difícil – a composição. Provavelmente a leitura abriu-lhe horizontes, e vemo-lo em 1896 a esboçar uma “Saída da Vida Pecaminosa”, da Divina Comédia, e no ano seguinte a preparar-se para a “Recompensa de São Sebastião”. Já o pintor se transformava num artista feito, e abandonava o naturalismo para meter-se em empresas mais arrojadas”.

A grande amizade entre Visconti e o maestro Alberto Nepomuceno, comprovada pelas cartas encontradas nos guardados da família do pintor, explica o retrato do músico ao piano, executado em 1895. Mais tarde, em 1902, Visconti faria uma tela retratando a família do maestro.

Em 1897, ainda nesse período portanto, Visconti amplia e ilumina sua paleta, absorvendo nítidas influências do movimento impressionista, como na tela “Patinhos no Lago”. Eram decorridos 23 anos da primeira exposição do movimento, realizada em 1874, embora sua consolidação na Europa somente fosse ocorrer nas décadas de 1880 e 1890. Como bem observa Paulo Herkenhoff, o mesmo lapso de tempo (23 anos) separa a mostra de Munch em Berlim, em 1892, das melhores obras expressionistas de Anita Malfatti, introdutoras no Brasil do modernismo inaugurado com a Semana de 22. (Paulo Herkenhoff em “Entre Duas Modernidades – MNBA – 2004)